||| 23 de setembro DE 2026 ||| 4ª feira ||| Comemorações em 23 de Setembro: # Dia da Síndrome das Pernas Inquietas # Dia de Combate ao Estresse # Dia do Soldador # Dia do Sorvete # Dia do Técnico em Edificações # Dia do Técnico Industrial # Dia dos Filhos # Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças # Dia Internacional das Línguas de Sinais # Dia Nacional dos Profissionais de Nível Técnico # Início do signo de Libra # ||| .............. Reflexão: "Um simples pensamento de gratidão elevado ao céu é a mais perfeita oração." ( G. E. Lessing ) . |||

 

Bem vindo

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O Dia dos Filhos é comemorado anualmente em 23 de setembro. Esta data foi criada com o intuito de ajudar a fortalecer os laços filiais que ligam pais e filhos. No agitado mundo contemporâneo, muitos pais trabalham muito e acabam não aproveitando os momentos livres para acompanhar o cotidiano e relação com seus próprios filhos e filhas. No Dia dos Filhos, o objetivo é justamente chamar a atenção dos pais e dos filhos para que possam repensar suas rotinas e separar um tempo especial dedicado exclusivamente à família. Origem do Dia dos Filhos: na realidade, o dia 23 de setembro é a comemoração do Dia dos Filhos em Portugal, que começou a se popularizar nas terras brasileiras, a exemplo da tradição portuguesa. E, além do dia 23 de setembro, nos últimos anos também tem sido comum celebrar o dia dos filhos em 5 de abril. (Nota - a imagem acima é criação do CHATGPT / Nano Banana)

pensamento dia

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Frase

Frase
Rabindranath Tagore (Calcutá, 7 de maio de 1861 – 7 de agosto de 1941), alcunha Gurudev, foi um polímata bengali. Como poeta, romancista, músico e dramaturgo, reformulou a literatura e a música bengali no final do século XIX e início do século XX. Como autor de Gitânjali, que em português se chamou "Oferenda Lírica" e seus "versos profundamente sensíveis, frescos e belos", sendo o primeiro não-europeu a conquistar, em 1913, o Nobel de Literatura. As canções poéticas de Tagore eram vistas como espirituais e mercuriais; no entanto, sua "prosa elegante e poesia mágica" permanecem amplamente desconhecidas fora de Bengala. Ele é às vezes referido como "o Bardo de Bengala". Tagore foi talvez a figura literária mais importante da literatura bengali. Foi um destacado representante da cultura hindu, cuja influência e popularidade internacional talvez só poderia ser comparada com a de Gandhi, a quem Tagore chamou 'Mahatma' devido a sua profunda admiração por ele. Um brâmane pirali de Calcutá, Tagore já escrevia poemas aos oito anos. Com a idade de dezesseis anos, publicou sua primeira poesia substancial sob o pseudônimo Bhanushingho ("Leão do Sol") e escreveu seus primeiros contos e dramas em 1877. Como humanista, universalista, internacionalista e ardente antinacionalista, denunciou o Raj britânico e advogou a sua independência da Grã-Bretanha. Como expoente do Renascimento de Bengala, ele avançou um vasto cânone que incluía pinturas, esboços e rabiscos, centenas de textos e cerca de duas mil músicas; seu legado também permanece na instituição que ele fundou, a Universidade Visva-Bharati. [https://pt.wikipedia.org/wiki/Rabindranath_Tagore] -(Nota - a imagem abaixo é criação do CHATGPT / Nano Banana)

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

“Alma Penada” no mundo corporativo

 


A Síndrome da Alma Penada

Autor: Herbert Drummond

Você já leu uma entrevista ou ouviu uma declaração de alguém que deixou recentemente um cargo importante, mas continua falando da antiga organização como se ainda estivesse lá? Critica decisões, sugere providências, comenta os bastidores e, não raro, tenta orientar quem ficou.

Chamo esse comportamento de "Síndrome da Alma Penada". A expressão é uma metáfora de minha autoria, não um diagnóstico clínico. Ela descreve a situação de quem deixa uma função de comando, mas não consegue se desligar das lembranças, das pessoas, dos rituais e, sobretudo, da identidade que construiu naquele ambiente. 

A imagem vem da antiga ideia da alma que, inconformada com a morte, continua vagando entre os vivos. No mundo corporativo, a pessoa já não pertence à organização, mas ainda não aceitou inteiramente a separação. Permanece entre dois mundos: perdeu o papel anterior e ainda não construiu um novo. Por isso, ronda antigos corredores, procura ex-assessores, acompanha decisões que já não lhe cabem e oferece conselhos que ninguém pediu. Em resumo, "morreu", mas não percebe e volta para "assombrar" os vivos.

Pode parecer caricatura, mas esse comportamento é mais comum do que imaginamos. E sei disso não apenas por observação: eu mesmo já fui uma “alma penada”.

Há muitos anos, fui exonerado, pela primeira vez na carreira, de uma função elevada. Choque! Custei a aceitar a nova realidade. Passei a procurar antigos assessores, sugerir encontros e almoços, comentar as novidades que me chegavam e até indicar como determinados problemas deveriam ser tratados. Voltei algumas vezes ao local de trabalho, sem avisar, para “visitar” os colegas, saber das últimas notícias e dar palpites.

Em minha cabeça, eu preservava relações e oferecia experiência. Na prática, começava a invadir um espaço que já não era meu.

Um dia percebi que estava atrapalhando. As pessoas — inclusive as mais próximas — recebiam-me por educação, respeito e consideração pelo passado. Tinham novas responsabilidades, novas lealdades e, provavelmente, novos problemas. Minha presença as colocava numa situação desconfortável: eu ainda me comportava como integrante de uma estrutura da qual já havia sido afastado.

A percepção foi dolorosa, mas libertadora. Compreendi que o vínculo afetivo podia permanecer; a autoridade, não. Desde então, jamais voltei a um antigo local de trabalho para rondar decisões, recolher novidades ou comentar assuntos da função que deixei. Nem para visita, nunca mais.


Refleti muito. Foi doído, mas passei a entender melhor o mecanismo. Quando alguém ocupa por muito tempo uma posição de destaque — sobretudo quando essa é sua primeira experiência desse tipo —, o cargo pode deixar de ser apenas algo que a pessoa exerce e passar a fazer parte do que ela acredita ser. Perder a função significa perder, de uma só vez, poder, status, renda, rotina, visibilidade, deferência e parte das relações que pareciam amizades. Não se perde apenas uma cadeira; perde-se uma identidade.

A sociologia chama de saída de papel o processo de desligamento de uma função central para a identidade e de reconstrução da vida em um novo papel. Quando essa passagem não se completa, nasce o limbo: o indivíduo já é um “ex”, mas continua pensando, falando e agindo como se o antigo título ainda o acompanhasse.

Nas organizações públicas e privadas, vemos ex-presidentes, diretores e gerentes tentando prolongar informalmente a influência que já não possuem. Alguns telefonam para antigos subordinados em busca de informações; outros criticam cada decisão dos sucessores; há quem preserve uma agenda social inteiramente construída em torno do velho cargo. Nem sempre existe má-fé. Muitas vezes, há luto, medo do anonimato e dificuldade de imaginar quem a pessoa será sem aquela função. Mas a dor da perda não autoriza a invasão do espaço alheio.

A organização também precisa saber administrar essa passagem. Uma despedida respeitosa, a transferência clara de responsabilidades e a definição de limites ajudam a evitar ambiguidades. Aos que ficam, cabe consideração sem submissão; aos que saem, gratidão pelo passado, sem pretensão de continuar governando o presente.

Rebaixamentos, aposentadorias, derrotas eleitorais, mudanças de carreira e até o fim de um casamento podem produzir fenômeno semelhante. Em todos esses casos, existe a tentação de permanecer emocionalmente instalado numa realidade que já terminou.

O risco é transformar uma fase de transição em residência permanente. Quem passa anos revivendo o cargo perdido fecha as portas para outros papéis, outras relações e outras formas de reconhecimento. Fica tão ocupado em assombrar o passado que não percebe o futuro esperando do lado de fora.

O primeiro passo para deixar de “penar” é aceitar uma frase difícil: acabou. Não acabou a experiência acumulada, nem o valor pessoal, nem a capacidade de contribuir. Acabou aquele mandato, naquela estrutura, sob aquelas condições. Experiência é patrimônio; cargo é circunstância.

Escrevo este relato especialmente para os profissionais da minha geração e das que vieram depois. Se minha experiência servir para que alguém reconheça a tempo os primeiros sinais dessa armadilha, ela terá cumprido uma de suas melhores funções: transformar um erro pessoal em aprendizado coletivo.

Depois vem a tarefa mais importante: construir uma nova identidade que não dependa do antigo crachá. Isso pode significar outra carreira, um projeto pessoal, atividade voluntária, estudo, mentoria — desde que solicitada — ou simplesmente uma vida menos subordinada ao poder e ao reconhecimento profissional.

Resiliência ajuda, mas não é um passe de mágica. A travessia exige consciência, limites, tempo e disposição para abandonar a antiga “realeza”. Em alguns casos, apoio profissional pode ser necessário para lidar com o luto, a ansiedade ou a depressão decorrentes da ruptura.

Conheci pessoas que permaneceram por muito tempo nesse limbo. Conheci também muitas outras que conseguiram “ressuscitar”, reorganizar a vida e construir trajetórias até mais ricas do que a anterior. A diferença começa quando se aceita que seguir em frente não apaga a história: apenas impede que ela se transforme numa prisão.

No fim das contas, a paz chega quando deixamos o passado ocupar o lugar que lhe pertence e começamos a cuidar, com humildade e coragem, da nossa próxima “encarnação”.

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Este artigo contou com o apoio do ChatGPT na revisão do texto e do Nano Banana na criação das imagens ilustrativas.


Nota editorial

Base conceitual acrescentada: a noção sociológica de role exit ou “saída de papel”, desenvolvida por Helen Rose Fuchs Ebaugh em Becoming an Ex: The Process of Role Exit. A referência serve para sustentar a intuição do artigo sem transformar a expressão “Síndrome da Alma Penada” em diagnóstico psicológico.


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Este post foi publicado no blog há tempos e estava “escondido” no baú de antiguidades da Oficina de Gerência. Reencontrei-o e lhe dei uma completa repaginada: é outro texto, sem perder o foco do tema. Espero que agrade aos novos leitores.


2 comentários:

  1. Drummond, excelente texto. A “alma penada” corporativa talvez seja, no fundo, menos um problema de apego ao cargo e mais uma dificuldade de separar aquilo que fazemos daquilo que somos.

    O cargo termina numa portaria, numa aposentadoria ou numa decisão do conselho. A identidade, porém, não recebe o memorando com a mesma velocidade. E então surge esse personagem curioso: já deixou a cadeira, mas a cadeira ainda não o deixou.

    Há também uma lição incômoda sobre o poder. Quando saímos, descobrimos quanto do respeito, da atenção e até das relações pertencia efetivamente a nós e quanto vinha emprestado pela função. É uma descoberta dura, mas talvez indispensável.

    Por isso gostei especialmente da ideia de que experiência é patrimônio e cargo é circunstância. A experiência pode seguir conosco, amadurecer e ganhar valor. A autoridade, ao contrário, precisa ser devolvida na saída, junto com o crachá, a sala e a senha do sistema.

    Talvez a verdadeira elegância esteja justamente aí: saber ocupar plenamente um lugar enquanto ele é nosso e saber deixá-lo plenamente quando chega a hora.

    O problema é que algumas pessoas insistem em permanecer emocionalmente instaladas numa realidade que já acabou. Vivem de memória, tradição, antigas glórias e da convicção de que, a qualquer momento, tudo voltará a ser como antes.

    Pensando bem, isso não é apenas uma síndrome corporativa.

    É praticamente o modelo de gestão do Vasco.

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    1. Caro Lucas (o Vasco lhe "denunciou"), receber sua visita e, mais ainda, seu comentário, só enriquece a Oficina de Gerência. O seu texto, na prática, poderia ser perfeitamente incorporado ao post. Grato pelo elogio, mesmo. Me envaidece, vindo de você. Grato pela força de prestigiar o blog. Volte sempre.

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Convido você, caro leitor, a se manifestar sobre os assuntos postados na Oficina de Gerência. Incentivo ao debate, à informação, à diversidade de opiniões. Obrigado.