segunda-feira, outubro 18, 2021

A Inteligência mundial está dando marcha à ré.

Na edição 2758 da Revista Veja, nº 39 de 6 de abril de 2021 - capa ao lado - está um artigo, na seção "Carta ao Leitor" com o título de "A Derrota da Inteligência". Só pelo título, provocativo, bateu a curiosidade de ler. 

Na verdade, o texto promove um livro, que acaba de ser lançado em português, do neurocientista francês Michel Desmurget, sob o título "A Fábrica de Cretinos Digitais".

No seu livro o autor,  propõe uma nova e preocupante descoberta: pela primeira vez na história, os jovens têm Q.I. mais baixos que os de seus pais. Espanto geral na área da neurociência! Afinal de contas o famoso QI (quociente de inteligência) - do qual se esperava, sempre, uma mensuração crescente dos resultados nos testes (Efeito Flinn), andou para trás pela primeira vez na história.

No seu livro, Desmurget procura as explicações e hipóteses, que vão desde a poluição excessiva com exposição constante e crescente do pesticidas até o  excessivo tempo em que os jovens ficam "grudados" às telas digitais". A respeito, resgato um trecho do artigo da Veja: "Olhos grudados em smartphones, computadores e televisores, tem prejudicado o desenvolvimento cognitivo. A vastidão de redes sociais, de imagens instantâneas, rouba o tempo de leitura, de concentração e de melhor compreensão das coisas da vida. 

Outra e surpreendente "descoberta" de Desmurget é o efeito da polarização política no mundo e notadamente no Brasil. "A rigidez ideológica embota o raciocínio, faz tudo ser branco ou preto, alheio à imensidão de cinzas entre uma ponta e a outra do espectro de tonalidades."

Isso nós estamos vivendo mesmo no Brasil. Esses antagonismos e desinteligências entre grupos - principalmente de jovens  - leva a um embotamento de raciocínio, da preguiça mental que evita o debate e o livre pensar. 

Olhando por esse lado, realmente há um prejuízo brutal para um avanço dos conceitos que compõem o QI (clique aqui e conheça mais) e quando e se tiver tempo faça um teste para medir o seu QI clicando aqui.

Os exemplos estão à vista. Nós é que nos recusamos a observar. Que tipo de obras artísticas (pinturas, músicas, teatro, cinema e outras) estamos consumindo se comparadas àquelas dos "velhos e bons tempos". 

Outro dia mesmo, conversando em família, comentamos que nas novelas e filmes brasileiros os temas musicais são (quase) invariavelmente compostos de músicas antigas. É raro surgir uma canção romântica que chegue a ser sucesso daqueles  como nos tempos de Roberto Carlos, Rita Lee, Caetano Veloso e tantos outros. 

Hoje o que está "bombando" são coisas do Tik Tok, influencers do YouTube, imagens do Instagram ou coisas escritas no Twitter. É ou não é um retrocesso cultural disfarçado de modernidade e outros rótulos.

Leia o artigo da Veja e chegue você mesmo a uma conclusão.



Se tiver dificuldade com a leitura na imagem pode clicar sobre ela e aumentá-la ou ler a transcrição abaixo:

"A humanidade sempre buscou medir a inteligência dos cidadãos — e, a partir dos dados obtidos, adequar a educação de crianças e adultos e aprimorar a produtividade no mercado de trabalho. Houve imensa controvérsia em torno dos métodos de aferição intelectual, muitas vezes acusados de discriminatórios, mas desde o início do século XX o teste de Q.I. (quociente de inteligência) é sobejamente aceito entre educadores e psicólogos. Intuía-se que, de geração para geração, haveria natural melhora nos resultados. Em 1984, o psicólogo americano James Flynn (1934-2020) identificou um aumento constante na média de acertos nas provas de Q.I. em todo o mundo. Sua descoberta passou a ser conhecida como “efeito Flynn”, atrelado, muito possivelmente, a nutrição mais adequada, avanços da medicina, educação aperfeiçoada e ambientes mais estimulantes. A má surpresa, agora: em um livro de sucesso na Europa,

A Fábrica de Cretinos Digitais, que acaba de ser lançado em português, o neurocientista francês Michel Desmurget fez uma nova e preocupante descoberta: pela primeira vez na história, os jovens têm Q.I. mais baixo que o de seus pais.

Há uma gama de hipóteses ao redor do fenômeno. A poluição, com exagerada exposição a pesticidas, é uma delas. Mas Desmurget desconfia, a partir da compilação de centenas de estudos, que o excessivo tempo de tela, de olhos grudados em smartphones, computadores e televisores, tem prejudicado o desenvolvimento cognitivo. A vastidão de redes sociais, de imagens instantâneas, rouba o tempo de leitura, de concentração e de melhor compreensão das coisas da vida. As reações, hoje, têm muito mais a ver com as emoções do que com a razão — embora não se deva, de modo algum, rechaçar os avanços da civilização promovidos pela internet. A questão são os exageros.

Um outro fermento para essa sensação de freada intelectual, de alijamento da realidade, é a polarização política, da qual o Brasil e o mundo parecem não conseguir escapar. A rigidez ideológica embota o raciocínio, faz tudo ser branco ou preto, alheio à imensidão de cinzas entre uma ponta e a outra do espectro de tonalidades. Há saída, evidentemente, e ela passa por um freio de arrumação, pela necessidade de pararmos para pensar — eis aí um conselho francamente óbvio. É o caso de ler mais, de procurar conhecer com alguma profundidade as movimentações da sociedade. É essa postura, a de permanente busca pelo que existe abaixo da superfície, que fez o ser humano construir belezas como o Réquiem, de Mozart, a Capela Sistina, de Michelangelo, aMona Lisa, de Leonardo da Vinci, e o Guernica, de Picasso. O avesso disso, no caminho das trevas e das decisões mercuriais, resultou em atrocidades como as grandes guerras, o terrorismo e os regimes ditatoriais. É fundamental escapar dessa armadilha"

2 comentários:

  1. Chefe Drummond, parabéns pelos posts incríveis, aqui trazidos.
    Quanto a matéria,supor que o "homem" estará sempre avançando e rumando para uma evolução ideal, é um equívoco. Nesses períodos de baixa autoestima, como encontrar motivação para continuar em busca de melhores perspectivas.
    Somos hoje quase 8 bilhões de humanos, e a grande maioria trabalham tresloucadamente em suas rotinas diárias! Iremos evoluir, mas não como os pensadores desejam! Um forte abraço! Ricardo

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    1. Caríssimo Ricardo. Primeiramente quero agradecer suas visitas, elogio e comentários aqui na Oficina de Gerência.
      Sobre seu comentário tendo a concordar com você tendo em vista o momento em que o nosso planeta atravessa. São tempos conturbados em todos os segmentos da participação humana. Todavia, sou um otimista por natureza e prefiro acreditar que a humanidade avança sempre; às vezes mais devagar do que se espera, às vezes mais acelerado. Mas avançando. Acontece que as coisas ruins são mais ruidosas do que as boas e daí a impressão que estamos caminhando para trás.
      Não perca a esperança.
      Grande abraço com muitas saudades dos velhos tempos.
      Volte sempre.

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