27 de out de 2011

Lealdade de Gato


Este artigo de minha autoria foi publicado recentemente no site do RH Portal. Tive uma grande alegria pois foi a primeira vez que "arrisquei" enviar um texto meu para avaliação fora do blog e ele foi publicado.
Já o havia postado aqui no blog sob outro título em 2009. Todavia Não quis remanejá-lo para cá. Editei o texto com alguns cortes e inserções e o resultado ficou melhor. Quero compartilhar esse contentamento com o leitores e amigos da Oficina de Gerencia. Lá no RH Portal o texto está sem as imagens de ilustração. Espero que apreciem.




Lealdade de Gato
(por Herbert Drummond - Autor do Blog)

M
uitos de vocês já devem ter prestado atenção ou lido a respeito do comportamento dos gatos. Devem ter observado que os felinos – por mais domesticados que sejam não têm aquela lealdade digamos... canina aos seus donos. Devo, antes de qualquer coisa, desculpar-me com os amantes e defensores dos gatos por qualquer falsa impressão preconceituosa (já passei pela experiência, quando garoto, de criar gatos). Muito bem, com este habeas corpus preventivo, vamos em frente.
O gato, segundo as lendas sobre este felino, abandonará seu dono – não importam os carinhos, o amor, e a boa vida que tenham recebido – no momento em que estas mordomias lhes faltarem. Trocarão, sem pestanejar, o antigo lar – por mais amoroso e leal que tenha sido o ex-dono - por outra casa e uma nova paixão que lhes proporcione o conforto e as regalias que tenham perdido na anterior. É a imagem”que temos dos gatos.
Traçando paralelas entre a conduta dos bichanos e minhas vivências no mundo corporativo, cunhei a expressão “Lealdade de Gato” e uso-a, há muitos anos, como metáfora. Caracterizo com ela, o comportamento daqueles companheiros de jornada que, juntos e absolutamente leais quando os ventos estão favoráveis, abandonam o barco e correm lépidos e fagueiros, a procurar novos lares tão logo as ventanias começam a agitar o barco
Costumo dizer que, tal como os gatos, esses companheiros, nessas circunstâncias, começam a pesquisar “novos lares com um novo dono e o conforto daquele pires de leite que os gatos adoram”. Nada surpreendente. Esse é um comportamento humano que – tal como nos gatos - simplesmente está no DNA de alguns da nossa espécie.
Estes personagens são mais numerosos do que imaginam os futuros e recentes gerentes ou chefes que estejam iniciando suas trajetórias como líderes corporativos. Um aspecto cruel dessa convivência é que os gatos (todos nós temos ou teremos os nossos) só serão digamos... pilhados à medida que seus donos, após galgarem os degraus do sucesso com eles - os gatos ali, juntos e “fieis” - por esta ou aquela razão tropeçam na carreira e deixam de exercer funções de relevância. Não bebem mais o “leitinho no pires”...
Característico é que o mesmo gato irá procurar, sem constrangimentos, voltar ao antigo dono no caso da situação se reverter novamente. E quantas vezes isso aconteça! É fato mais do que recorrente no mundo corporativo, mas sempre surpreendente para quem tenha confiado neles, os “gatos de carreira”.
Os gerentes veteranos e mais experientes que já foram “donos” de gatos estão vacinados. Sabem identificá-los antes que comecem a “aqueles miados pungentes e carinhosos acompanhados pela dança de roçar entre suas pernas e pular no seu colo”. Este, aliás, um procedimento inerente à personalidade dos gatos corporativos.

Gatolândia
Poderia ficar aqui discorrendo sobre a “Gatolândia” por muito tempo. Tenho experiência. Já passaram muitos gatos por minha trajetória profissional. Amigos e companheiros leais, presentes e prestativos enquanto eu estava em ascensão na carreira e ocupava funções de destaque, rapidamente eles, meus gatos, davam as costas tão logo percebiam que o “barco estava fazendo água”.
Na Administração Pública a prática é mais comum do que na iniciativa privada. Naquela corporação a meritocracia é menos praticada do que nesta. Lá, os gatos são mais numerosos, agitados e saltam sem o menor acanhamento nos braços e colos de quem esteja no poder. 

"Profissão" de Gato
Existem, como me referi acima, os “gatos profissionais”. São “gordos, maliciosos e insinuantes” como aqueles gatões que nos acostumamos a ver nos desenhos da Disney. Passam a vida profissional inteira trocando de “donos” e realizam-se com esta... carreira.
Aqueles com o DNA mais refinado conhecem e dominam todas as manhas e técnicas para serem reconhecidos e até aceitos como “Gatos de Respeito”. Também existem os “gatinhos”. São os jovens que se iniciam no mundo corporativo e com pouco brilho próprio começam a observar, manhosos e miantes, os “futuros donos” até escolher aquele que imaginam, será um futuro dirigente da corporação onde tenham seus cantos e lhes assegurem o conforto que projetam para si. Quem sabe conseguem um presidente ou até um ministro ou mais ainda...
Pensam que estou brincando? Pois não estou! Os gatos estão bem ai, nas mesas ao lado, nos corredores do ambiente de trabalho ou até na sua assessoria. Se você não tiver vocação para ser “dono de gatos” comece desde já a prestar atenção a quem vive se enroscando em você ou pulando no seu colo.
Ops! Já estava esquecendo um detalhe importante. Gato ou gata? Tanto faz. O DNA é unissex. A carreira de um habitante da Gatolândia é ampla, geral e irrestrita. Não tem sexo, cor, idade ou qualquer outra limitação. Diria que é... Ecumênica

Conselhos para os donos de gatos.
Importante dizer que os gatos e gatinhos são muito úteis para quem sabe lidar com eles. Ajudam muito, contribuem - às vezes decisivamente - para as carreiras dos seus vários donos desde que recebam a sua dose diária de carinhos e afagos; e não devem ser dispensados só porque são gatos. Apenas não se deixem enganar pelo ronronar dos bichanos.
Que os donos de gatos não esperem gestos de lealdade e muito menos atitudes de fidelidade em momentos difíceis e de confrontos corporativos onde suas posições de poder estejam ameaçadas. Nestes casos os gatos se escondem, tiram férias, licenças médicas e procuram com menos avidez o leitinho do pires. Imediatamente começam a percorrer os telhados e quintais vizinhos até que as “coisas" fiquem calmas e eles possam, novamente, escolher se ficam onde estavam ou vão escolher um novo dono.
A propósito, deixo uma recomendação valiosa, simples e direta, para os futuros líderes e gerentes: 
.
Não criem e nem sejam "donos de gatos”!

Gifs ANimados Flechas (140) Herbert Drummond é engenheiro civil aposentado. Foi, durante vinte e cinco anos, dirigente e diretor de empresas e autarquias na Administração Pública e no Ministério Público do Distrito Federal. É autor do blog Oficina de Gerência (400.000 acessos) onde escreve seus artigos.

Gifs ANimados Flechas (24)Abaixo está a reprodução do artigo tal como foi publicado na página do RH Portal. Se desejar ler no site de origem é só clicar aqui.
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