28 de dez de 2009

Cuidado com as Técnicas e Macetes Gerenciais


         Não é necessário apresentar o professor Eugen Pfister aos leitores do blog. É um precioso amigo que colhi na blogosfera e cuja amizade me honra muito. Reproduzo mais um ótimo artigo dele que coletei no site "O Gerente".
         O tema, como sempre, tem uma abordagem que instiga e provoca o leitor e sua imaginação. É a marca do professor Pfister.
http://1.bp.blogspot.com/_gzGYuSMZB3M/SCCSwsnow3I/AAAAAAAAAB4/ssm5O_Qxpd0/s320/cartola.gif        Neste artigo o professor trata das chamadas "artimanhas" gerenciais, das manipulações que determinados tipos de gerentes insistem em usar com seus subordinados como se fossem frutos de suas experiencias pessoais ou de vivencias corporativas. 
         Certamente quem já está há muito tempo no circuito corporativo já terá presenciado ou mesmo sido vítima - talvez devesse escrever "cobaia" - dessas armações que os maus gerentes montam para conseguir seus objetivos.
         Tais episódios são mais comuns do que se imagina. Ocorre que no mais das vezes estes embusteiros montam suas ciladas contra os subordinados ou mesmo seus pares menos experientes e mais crédulos. Normalmente conseguem sucesso com seus primeiros "números", mas são descobertos logo logo quando convivem em ambientes mais amadurecidos e experimentados nas verdadeiras técnicas de desenvolvimento de lideranças. 
         Leiam o artigo e tenham mais um viés para suas reflexões...Os textos de Pfister são sempre recheados de observações do mundo cotidiano atual com muitas pinceladas de fino humor. Ele sabe o que diz e as suas conceituações são sempre inovadoras. Tem experiencia e autoridade como consultor de desempenho humano e gerencial que é entre outras muitas habilidades (veja o sumário ao final do post). 
         Adianto um trecho do artigo para despertar-lhes a curiosidade da leitura:
  • [...] "A questão é que uma técnica que simule um interesse em um acordo ganha/ganha numa negociação vem acompanhada de uma série de mensagens silenciosas, sub-reptícias, contraditórias que revelam nossas verdadeiras intenções de dobrar a resistência do interlocutor e obter algum tipo de vantagem não declarada." [...]
 http://www.cursos-recursoshumanos.com/images_upload/1mundi_gente.jpg
Cuidado com as Técnicas e Macetes Gerenciais

          Técnicas de gerenciamento humano são eficientes na medida em que nossos interlocutores ignoram que elas são o que são: técnicas. Quando os subordinados desconfiam que o superior está aplicando receitas de um livro ou seminário sobrevém a sensação de manipulação, falta de sinceridade e de transparência.
          É difícil discordar, mesmo porque os relacionamentos humanos pautados em técnicas de comunicação, valorização, motivação, negociação, feedback, etc., enfraquecem no lugar de fortalecer o próprio relacionamento HUMANO.
Imaginem alguém se vangloriando de ser especialista em motivar terceiros,  em amizade, empatia ou em influenciar a equipe. A idéia lhe parece simpática? É bem diferente quando essas coisas são feitas espontânea e naturalmente em função das atitudes e condutas do gerente.
          Quando a técnica se sobrepõe à vocação, o subordinado, diante de um elogio, em vez de relaxar e usufruir, sente uma leve tensão, pois logo pensa que ato contínuo vem uma bomba que é, para todos os efeitos, a verdadeira razão da conversa. Aliás, só se tranqüiliza quando ouve a bronca que lhe assegura que suas teorias sobre os macetes gerenciais são legitimas: -   “Esse sim, é o meu chefe.”
          A questão é que uma técnica que simule um interesse em um acordo ganha/ganha numa negociação vem acompanhada de uma série de mensagens silenciosas, sub-reptícias, contraditórias que revelam nossas verdadeiras intenções de dobrar a resistência do interlocutor e obter algum tipo de vantagem não declarada.
          Eventualmente somos bem sucedidos. O problema com as vitórias de Pirro (318 – 272 a.C.)  é que com as técnicas ganhamos a batalha, não necessariamente a guerra já que, mais dia menos dia, a outra parte descobre a nossa artimanha. Resultado: a revelação desencadeia uma série de atos de vendetta que levam à erosão da confiança, do respeito, da relação humana, profissional ou comercial.
          A bem da verdade a autenticidade é a melhor forma para lidarmos com a  vida e com os outros. A franqueza pode ser desagradável. Idem a assertividade ou rudeza dos nossos superiores. Mas ao longo do tempo nos damos conta que é melhor conhecer o terreno que pisamos que viver um conto de fadas construído por uma bateria de técnicas que mascaram a realidade.
          O velho e sábio Lincoln (1809 - 1865) sabia que é impossível enganar a todos o tempo inteiro. Muitos consultores gerenciais tendem a ignorar este fato menos por má fé e mais porque estão convencidos que o mundo pode ser entendido através de quadrantes de liderança, técnicas gerenciais e uma parafernália de macetes que prometem poder e controle, sem o ônus de assumir que não é o bem estar e crescimento das pessoas que desejamos e sim o poder e o controle.
          Agora, antes que alguém saia por aí queimando livros e boicotando seminários gerenciais lembro que as técnicas funcionam quando correspondem a nossa forma habitual de  pensar, sentir e agir.
          É um paradoxo, mas a técnica é mais útil para quem menos necessita dela, pela simples razão que ela permite lapidar o diamante bruto sem prometer transformar carvão em ouro. Por exemplo, gerentes genuinamente interessados no desenvolvimento dos subordinados aprendem a ser mais eficazes incorporando técnicas de coaching que se encaixam naturalmente em seus hábitos cotidianos.
          Em contrapartida, se eu não tenho um interesse autêntico pelo crescimento dos liderados, é ilusório imaginar que as técnicas de coaching lograrão ocultar meu descaso, transformando-me num autêntico gerente coach. As pessoas reagem a quem elas imaginam que somos e não às técnicas que usamos.
          Portanto, na próxima palestra e seminário, devagar com o andor que o santo é de barro.


Formei-me em Ciências Sociais e Humanas pela Universidade de São Paulo. De ofícios, fiz de tudo um pouco: office-boy, professor de inglês, história, cultura geral, recreacionista na AACD, executivo do movimento escoteiro, analista de treinamento e gerente de desenvolvimento de Recursos Humanos.
Na área de Treinamento e Desenvolvimento atuo como instrutor de programas de liderança, competências gerenciais, análise de problemas e tomada de decisões, team buildiing e team work, ética nos negócios, vendas, negociação, delegação e follow-up desde 1975; e como consultor atuo em DO, T&D Focado em Resultados e como management coach desde 1981.
Tenho dois filhos, plantei mais de 500 árvores, pois participei de uma campanha de reflorestamento; escrevi um livro e tenho outros dois a caminho. Escrevo por gosto e por encontrar na escrita uma forma de fazer o pensamento e a mente viajar para terras nunca dantes visitadas.
Sou sócio diretor da Estação Performance uma consultoria especializada em transformar conhecimentos em resultados e hoje  dedico meu saber e experiência a duas paixões profissionais antigas que ocupavam apenas parte do meu tempo: aprimorar a performance humana e organizacional; e fazer com que as teorias gerenciais e organizacionais funcionem na prática.
Dados sobre a empresa: Estação Performance
Cargo: Sócio-Diretor
Ramo de atividade: Serviços.
Área: Consultoria organizacional e gerencial



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