29 de jan de 2009

"Gatos Corporativos", conheçam estes "amorosos" bichanos...

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Lealdade de Gato

Muitos de vocês já devem ter prestado atenção ou lido a respeito do comportamento dos gatos. Devem ter observado que os felinos – por mais domesticados que sejam não tem a menor lealdade aos seus donos. Devo, antes de qualquer coisa, desculpar-me com os amantes e defensores dos gatos (já passei pela experiência, quando garoto, de criar gatos). Vou “falar” aqui como um absoluto ignorante zootécnico. Muito bem, com este habeas corpus preventivo, vamos em frente.

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O gato, segundo as histórias sobre estes felinos, abandonará seu dono – não importam os carinhos, o amor, e a boa vida que tenham recebido – no momento em que estas mordomias lhes faltarem. Trocarão, sem pestanejar, o antigo lar – por mais amoroso e leal que tenha sido o ex-dono - por outra casa e uma “nova paixão” que lhes proporcione o conforto e as regalias que tenham perdido no anterior. É da própria natureza destes animais.

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Traçando paralelas entre a conduta dos bichanos e minhas vivências com (determinadas) pessoas, cunhei (terei sido pretencioso?) a expressão “Lealdade de Gato”. Uso-a, há muitos anos, como metáfora. Com ela, caracterizo o comportamento dos companheiros de jornada que, juntos e absolutamente leais quando os ventos estão favoráveis, abandonam o barco e correm lépidos e fagueiros, a procurar “novos lares” tão logo comecem os sinais das tempestades..

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Costumo dizer que vão “procurar um novo "pires de leite” assim que o atual começa a ficar vazio. Tal como os felinos é um comportamento humano que simplesmente está no DNA de alguns da nossa espécie.

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Estes personagens são mais comuns do que imaginam os futuros e novos gerentes ou chefes que estejam iniciando suas caminhadas como dirigentes corporativos. Um aspecto cruel dessa convivência é que os gatos de cada um só serão, digamos, “pilhados” à medida que “seus donos”, após subirem sem interrupção os degraus do sucesso (e eles - os gatos - ali, juntos e “fieis”...) por esta ou aquela razão tropeçam na carreira e deixam de ocupar funções de relevância, Ou seja, quando acaba o “leitinho no pires”... Característico é que o gato vai procurar voltar ao antigo dono se a situação se reverter novamente e quantas vezes isso aconteça.

É um fato mais do que recorrente no mundo corporativo, mas sempre surpreendem a quem neles (os “gatos) haja confiado. Os gestores mais veteranos e experientes normalmente já estão vacinados e sabem identificá-los antes que comecem a miar, roçar entre suas pernas e pular no seu colo. Este, aliás, um procedimento “inerente à personalidade dos gatos corporativos.

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Gatolândia

Poderia ficar aqui discorrendo sobre a “gatolândia” por muito tempo. Tenho experiência. Já passaram muitos gatos por minha vida. Amigos leais e sempre prestativos enquanto eu estava em ascensão na carreira e ocupava funções de destaque, rapidamente meus gatos davam as costas tão logo percebiam que o “barco estava fazendo água”..

Na administração pública a prática é mais comum do que na iniciativa privada. Naquela corporação a meritocracia é menos praticada do que nesta. Lá, os gatos pululam e saltam no pescoço de quem está no poder. São os chamados "gatos da casa".

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Profissão de Gato

Existem “gatos profissionais”. São gordos, maliciosos e insinuantes como aqueles gatões que nos acostumamos a ver nos desenhos da Disney. Passam a vida profissional inteira trocando de “donos” e se comprazem com esta carreira..

Aqueles com DNA aprimorado conhecem e dominam todas as manhas e técnicas para serem reconhecidos como “gatos de respeito”. Também existem os “gatinhos”. São os jovens que se iniciam no mundo corporativo e com pouco brilho próprio começam a observar os “futuros donos” até escolher aquele que imaginam, será um futuro diretor, quem sabe um presidente ou até um ministro ou mais ainda... Pensam que estou brincando? Pois não estou. Os gatos estão bem ai, na mesa ao lado ou na sua assessoria. Ou ainda, por despertar seu talento na cadeira, ao lado, da universidade. Se você não tiver “vocação” para ser dono de gato comece desde já a prestar atenção a quem vive se enroscando em você.

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Ops! Já estava esquecendo um detalhe importante. Gato ou gata? Resposta: é a mesma coisa. A carreira de um gato(a) é ampla, geral e irrestrita. Não tem sexo, cor, idade ou qualquer outra limitação. Diria que é... democrática.

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Conselhos para os "donos de gatos"

Importante dizer que os gatos e gatinhos (e seus congêneres) são muito úteis para quem sabe lidar com eles. Ajudam muito, contribuem - às vezes decisivamente - para as carreiras dos seus vários donos enquanto recebam a ração diária de carinhos e afagos e não devem ser dispensados. Só não se deixem enganar por eles.

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Que os donos de gatos não esperem gestos lealdade e muito menos atitudes de fidelidade em momentos difíceis e de confrontos corporativos onde suas posições de poder sejam ameaçadas. Nestes casos os gatos encolhem, disfarçam, procuram menos vezes o leitinho do pires, começam a percorrer os telhados e quintais vizinhos até que as “coisas" fiquem calmas e eles possas, novamente, escolher se ficam onde estavam ou vão escolher um novo lar.

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A propósito, deixo uma recomendação valiosa, simples e direta, para os futuros líderes e gerentes:

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Não sejam "donos de gatos" !


3 comentários:

  1. Este artigo é uma revisão de outro que escrevi em outubro de 2007. Naquele, um leitor escreveu um comentário que quero preservar neste novo post e que reproduzo abaixo:

    "Hubner disse...

    O que a gente mais vê na minha empresa são os gatos. Não sei o que é pior se é um gato ou um rato, que também tem aos montes. Na administração pública temos centenas das duas espécies. Veja o que está acontecendo no Senado com a mudança na presidência. Não temos ali um monte de gatos e alguns gatões? Beberam o leitinho no pires do Renan até que secou e já estão procurando os novos donos.

    18/10/07 23:56"

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  2. Este é um dos melhores artigos que já li, Herbert. E nele transparece muito bem a sua capacidade de criar ótimos textos que prendem a gente e servem de lição valiosa.
    Na minha opinião, esta deveria ser a linha mestra do Oficina, onde você deve investir com mais ênfase.

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  3. Querido amigo (e padrinho) Ronaldo,

    Você sempre generoso comigo e a Oficina de Gerência.
    Concordo com sua opinião. O artigo ficou bom. Na verdade é uma repaginação de um texto menor que escrevi nos primórdios do blog.
    Estou redirecionando a proa da Oficina de Gerência em busca desta "linha mestra" referida por você.
    Não quero, entretanto, perder a componente genérica que mantém o blog "antenado" com a blogosfera.
    Mas concordo que de vez em quando dou uma "escorregada" e exagero nas generalidades.
    Já pensei até em "abrir" um novo blog, mas sei que não teria qualidade. Mal dou conta de manter a "Oficina" atualizada quanto mais se tivesse que trabalhar com dois blogs.
    Vou procurar realinhar o blog e estar mais próximo do que você sugere e com o que estou de acordo.
    Um grande abraço e uma enorme alegria em vê-lo novamente comentar por aqui.

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